Há uma dimensão social muitas vezes ignorada no debate ambiental: quem vive da terra. O novo projeto acerta ao priorizar agricultores familiares, mulheres e jovens. Não se preserva a Mata Atlântica contra as pessoas — preserva-se com elas.
A cabruca é um exemplo concreto disso. Diferente de modelos que expulsam trabalhadores ou concentram renda, ela distribui oportunidades e mantém comunidades no campo. Ao integrar assistência técnica, crédito e acesso a mercados, o projeto cria um ciclo virtuoso: mais renda leva a mais preservação, que por sua vez sustenta a produção.
Uma crítica possível é que esse modelo pode ser lento para gerar resultados em larga escala. De fato, não se trata de uma solução imediata. Mas soluções rápidas são justamente as que historicamente destruíram o bioma. A pressa foi inimiga da sustentabilidade.
Se o objetivo é construir uma economia duradoura, o caminho necessariamente passa por modelos mais equilibrados — mesmo que levem mais tempo.
Por Redação
